Eu falo daquele morro

E aí, doutor,
Como anda a burguesia?
Porque a periferia
Continua a esperar.

Espera educação
Saúde não se tem
Falta tudo a toda hora
Terra de ninguém.

Saneamento é básico
Mas não lá no morro.
Na viela que brinca a criança
Corre entre as pernas o esgoto.

A sensação de (in)segurança
Vem da força policial.
Oprimidos sendo opressores
Brutalidade sem igual.

Truculência lá é mato
Preto e pobre arde a pele.
Quando o rasgar do anonimato
Mata, corta, condena e repele.

O esporte e lazer
É ver jogo na TV.
Lá falta até transporte
E não tem pra onde correr.

Ôh, seu político!
Eu falo daquele morro.
Sobe lá pro senhor ver
A favela pedir socorro!