Eu falo daquele morro

E aí, doutor,
Como anda a burguesia?
Porque a periferia
Continua a esperar.

Espera educação
Saúde não se tem
Falta tudo a toda hora
Terra de ninguém.

Saneamento é básico
Mas não lá no morro.
Na viela que brinca a criança
Corre entre as pernas o esgoto.

A sensação de (in)segurança
Vem da força policial.
Oprimidos sendo opressores
Brutalidade sem igual.

Truculência lá é mato
Preto e pobre arde a pele.
Quando o rasgar do anonimato
Mata, corta, condena e repele.

O esporte e lazer
É ver jogo na TV.
Lá falta até transporte
E não tem pra onde correr.

Ôh, seu político!
Eu falo daquele morro.
Sobe lá pro senhor ver
A favela pedir socorro!

Mais de uma década de história…

Eu não teria melhor tema para voltar a escrever aqui no blog se não falando da carinhosa relação com o meu trabalho. Que massa!

Uma relação que começou no ano de dois mil e dois, aos dezessete anos, após ser selecionado em uma entrevista para uma vaga de estágio na Prefeitura de Vitória. A concorrência foi intensa, outros dez adolescentes participaram da seleção. (risos)

Foram dois anos que me possibilitaram amadurecer enquanto ser humano e aprender com as rotinas que envolviam as atividades daquele “primeiro emprego”. O que eu não sabia é que o estágio na Prefeitura de Vitória seria o início de uma relação bastante duradoura.

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